A Puma estreitou sua previsão de prejuízo operacional para 2026 e reduziu o plano de investimentos de capital. A fabricante de artigos esportivos passou a estimar um EBIT negativo entre € 80 milhões e € 130 milhões. Antes, projetava uma perda entre € 50 milhões e € 150 milhões.
A atualização foi divulgada nesta sexta-feira, 30 de outubro, com o balanço do terceiro trimestre. A nova faixa reduz a distância entre os extremos da estimativa, mas permanece inteiramente negativa. O limite menos desfavorável piorou e o mais desfavorável melhorou; portanto, a revisão não representa uma melhora uniforme da projeção.
Vendas ainda caem, com ritmo menos intenso
O faturamento de julho a setembro somou € 1,776 bilhão, queda de 5% nos valores reportados e de 6,3% a câmbio constante, segundo a Puma. O ajuste cambial permite comparar a evolução das vendas sem atribuir ao desempenho comercial as oscilações entre moedas.
A divulgação do segundo trimestre ajuda a dimensionar o movimento: naquele período, a empresa havia registrado receita de € 1,691 bilhão e redução anual de 9,4% a câmbio constante. Assim, a comparação com o mesmo trimestre do ano anterior continuou negativa em setembro, mas com uma queda percentual menor que a observada no balanço anterior.
Essa leitura exige manter cada base de comparação. A diferença entre taxas anuais não significa que as vendas tenham voltado a crescer em relação a 2025.
Melhora operacional ainda convive com prejuízo
O EBIT do terceiro trimestre foi negativo em € 11,4 milhões, ante resultado positivo de € 16,2 milhões na comparação de 2025 apresentada pela companhia. O indicador mede o resultado antes de despesas financeiras e impostos e, por isso, difere do lucro ou prejuízo líquido.
No segundo trimestre de 2026, a perda operacional havia sido de € 53,1 milhões. A margem bruta também passou de 48% naquele período para 49,5% no terceiro trimestre. São sinais de recuperação sequencial dentro de um exercício que a empresa ainda espera encerrar com resultado operacional negativo.
Os materiais financeiros trazem comparativos históricos ajustados para operações descontinuadas. A análise deve preservar essa base, sem misturar números antigos de perímetros diferentes como se fossem diretamente equivalentes.
Menos capital investido e redução dos estoques
A Puma passou a prever investimento de capital inferior a € 150 milhões no ano, em vez de aproximadamente € 200 milhões. Os estoques encerraram setembro em € 1,609 bilhão, ante € 1,821 bilhão ao final de junho. A queda anual em setembro foi de 24,3%.
No documento de perspectivas publicado em setembro, a gestão já havia apresentado a normalização dos estoques até o encerramento de 2026 como prioridade. Também reconhecia que a relação entre despesas operacionais e vendas ainda precisava melhorar.
A combinação de estoques menores, disciplina de investimento e redução do prejuízo trimestral mostra o andamento do ajuste descrito pela administração. A recuperação das vendas e o resultado do último trimestre continuarão relevantes para verificar se a Puma atingirá as metas atualizadas para o ano.














