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Lucro da Vale cai 53% no terceiro trimestre, apesar de receita maior

Mineradora lucra US$ 1,255 bilhão; preços menores do minério de ferro e custos pressionam operação, enquanto o cobre ganha força.

Locomotiva verde e amarela da Vale na Estrada de Ferro Carajás, em fotografia de arquivo de 13 de junho de 2011.
Locomotiva da Vale na Estrada de Ferro Carajás. Fotografia de arquivo de 13 de junho de 2011. · Foto: Fernando Santos Cunha Filho / Wikimedia Commons — CC BY 3.0. Arquivo de 13 de junho de 2011. Fonte: https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Estrada_de_Ferro_Carajas_4.jpg — licença: https://creativecommons.org/licenses/by/3.0/. Enquadramento adaptado pelo Portal.

A Vale registrou lucro líquido atribuível aos seus acionistas de US$ 1,255 bilhão no terceiro trimestre de 2026, queda de 53% em relação aos US$ 2,685 bilhões do mesmo período do ano anterior. O balanço foi divulgado em 29 de outubro. Frente ao segundo trimestre, o recuo foi de 9%.

A receita líquida de vendas, por outro lado, cresceu 2% em um ano, para US$ 10,599 bilhões. O contraste mostra que faturamento maior não se converteu em expansão do resultado: preços realizados, custos e outros componentes da demonstração financeira tiveram efeitos diferentes sobre o lucro.

Minério de ferro pressiona a rentabilidade

O Ebitda ajustado consolidado ficou em US$ 3,327 bilhões, redução anual de 24%. Na medida proforma, que exclui itens não recorrentes e efeitos relacionados à reparação e à descaracterização de barragens, o indicador foi de US$ 3,508 bilhões, queda de 20%.

Segundo o relatório, os preços realizados mais baixos do minério de ferro e as pressões de custos tiveram peso nesse movimento. O preço médio dos finos foi de US$ 85,10 por tonelada, 10% abaixo tanto do trimestre anterior quanto do mesmo período de 2025.

A companhia também cita fretes mais caros, o efeito da valorização do real e custos de manutenção entre os fatores que afetaram o desempenho. No lucro, o relatório identifica ainda impacto de provisões relacionadas à Samarco e de tributos. Essas explicações são da própria Vale.

Cobre compensa parte da pressão

O negócio de cobre apresentou resultado operacional mais forte. O Ebitda divulgado para a área chegou a cerca de US$ 1 bilhão, alta anual de 66%, beneficiado por preços maiores e custos menores, conforme a companhia.

A produção de cobre, contudo, caiu 6%, para 85,5 mil toneladas, com manutenção programada em Sossego. O desempenho financeiro e o volume produzido, portanto, seguiram direções diferentes.

No minério de ferro, a produção recuou 6%, para 88,4 milhões de toneladas, enquanto as vendas avançaram 0,3%, para 86,3 milhões. A Vale explica que utilizou estoques formados em períodos anteriores para sustentar os embarques.

Caixa recorrente e geração total têm bases distintas

O fluxo de caixa livre total somou US$ 2,230 bilhões. Desse montante, US$ 857 milhões foram classificados como itens não recorrentes, relacionados a incentivos fiscais. A geração recorrente ficou em US$ 1,373 bilhão, queda anual de 12%.

A dívida líquida expandida encerrou setembro em US$ 16,413 bilhões, ante US$ 16,677 bilhões em junho. Essa medida é diferente da dívida líquida financeira, de US$ 13,097 bilhões, e inclui outros componentes definidos pela mineradora.

A Vale manteve suas projeções de produção para 2026 e informou expectativa de investimentos próximos ao limite inferior da faixa de US$ 5,4 bilhões a US$ 5,7 bilhões. As metas ainda dependem da execução do último trimestre.

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