A Vale registrou lucro líquido atribuível aos seus acionistas de US$ 1,255 bilhão no terceiro trimestre de 2026, queda de 53% em relação aos US$ 2,685 bilhões do mesmo período do ano anterior. O balanço foi divulgado em 29 de outubro. Frente ao segundo trimestre, o recuo foi de 9%.
A receita líquida de vendas, por outro lado, cresceu 2% em um ano, para US$ 10,599 bilhões. O contraste mostra que faturamento maior não se converteu em expansão do resultado: preços realizados, custos e outros componentes da demonstração financeira tiveram efeitos diferentes sobre o lucro.
Minério de ferro pressiona a rentabilidade
O Ebitda ajustado consolidado ficou em US$ 3,327 bilhões, redução anual de 24%. Na medida proforma, que exclui itens não recorrentes e efeitos relacionados à reparação e à descaracterização de barragens, o indicador foi de US$ 3,508 bilhões, queda de 20%.
Segundo o relatório, os preços realizados mais baixos do minério de ferro e as pressões de custos tiveram peso nesse movimento. O preço médio dos finos foi de US$ 85,10 por tonelada, 10% abaixo tanto do trimestre anterior quanto do mesmo período de 2025.
A companhia também cita fretes mais caros, o efeito da valorização do real e custos de manutenção entre os fatores que afetaram o desempenho. No lucro, o relatório identifica ainda impacto de provisões relacionadas à Samarco e de tributos. Essas explicações são da própria Vale.
Cobre compensa parte da pressão
O negócio de cobre apresentou resultado operacional mais forte. O Ebitda divulgado para a área chegou a cerca de US$ 1 bilhão, alta anual de 66%, beneficiado por preços maiores e custos menores, conforme a companhia.
A produção de cobre, contudo, caiu 6%, para 85,5 mil toneladas, com manutenção programada em Sossego. O desempenho financeiro e o volume produzido, portanto, seguiram direções diferentes.
No minério de ferro, a produção recuou 6%, para 88,4 milhões de toneladas, enquanto as vendas avançaram 0,3%, para 86,3 milhões. A Vale explica que utilizou estoques formados em períodos anteriores para sustentar os embarques.
Caixa recorrente e geração total têm bases distintas
O fluxo de caixa livre total somou US$ 2,230 bilhões. Desse montante, US$ 857 milhões foram classificados como itens não recorrentes, relacionados a incentivos fiscais. A geração recorrente ficou em US$ 1,373 bilhão, queda anual de 12%.
A dívida líquida expandida encerrou setembro em US$ 16,413 bilhões, ante US$ 16,677 bilhões em junho. Essa medida é diferente da dívida líquida financeira, de US$ 13,097 bilhões, e inclui outros componentes definidos pela mineradora.
A Vale manteve suas projeções de produção para 2026 e informou expectativa de investimentos próximos ao limite inferior da faixa de US$ 5,4 bilhões a US$ 5,7 bilhões. As metas ainda dependem da execução do último trimestre.














