A Johnson & Johnson viu suas vendas crescerem no terceiro trimestre, mas uma despesa de US$ 5,5 bilhões ligada aos processos sobre talco derrubou o lucro. A companhia também elevou modestamente sua previsão de receita para 2026, para US$ 101,2 bilhões.
No balanço divulgado em 13 de outubro de 2026, a receita chegou a US$ 25,4 bilhões, alta de 5,9% sobre um ano antes. O lucro líquido caiu 95,9%, para US$ 210 milhões.
Acordo sobre talco ainda depende de adesão
A despesa judicial está ligada à proposta de acordo nos processos em que os autores alegam que produtos com talco causaram câncer de ovário. A J&J contesta essa relação.
A proposta anunciada em julho prevê US$ 5,5 bilhões em pagamentos e depende, entre outras condições, da participação de pelo menos 95% das reivindicações remanescentes. O primeiro desembolso, de até US$ 3 bilhões, está previsto para 2027. Não haveria pagamentos adicionais antes de 2028.
O custo entrou no resultado deste trimestre, embora os pagamentos estejam previstos para os próximos anos. Na divulgação de 13 de outubro de 2026, a direção disse que a adesão avançava em direção ao percentual exigido. A conclusão do acordo continuava condicionada a esse patamar.
Investimentos também pesam no lucro
A empresa divulga ainda um lucro ajustado, que desconsidera a despesa judicial e alguns outros lançamentos contábeis. Esse resultado caiu 6,8%, para US$ 6,34 bilhões. Por ação, a queda foi de 7,5%, para US$ 2,59.
Nesse cálculo permaneceram os efeitos da compra da Firefly Bio e da parceria com a Sail Biomedicines, duas apostas em novos tratamentos.
A Firefly foi adquirida em julho por US$ 1 bilhão. Na ocasião, a J&J anunciou que registraria aproximadamente esse valor como despesa de pesquisa e desenvolvimento no terceiro trimestre. A empresa comprada desenvolve uma tecnologia para levar moléculas que degradam proteínas diretamente às células tumorais.
A parceria com a Sail busca reprogramar células de defesa dentro do organismo para tratar doenças do sistema imunológico. Prevê pagamentos iniciais de US$ 785 milhões, incluindo US$ 465 milhões pela aquisição de uma participação acionária.
Em documento enviado à SEC, a J&J estimou que os dois negócios reduziriam o lucro ajustado de 2026 em US$ 0,64 por ação. Essa projeção cobre o ano inteiro.
Medicamentos crescem mais que dispositivos médicos
A divisão farmacêutica, Innovative Medicine, faturou US$ 16,76 bilhões, alta de 7,7%. O avanço teve a ajuda de medicamentos contra o câncer, de Tremfya, para doenças inflamatórias, e de Spravato, para depressão resistente ao tratamento. A queda das vendas de Stelara limitou parte desse crescimento.
A MedTech, de tecnologia médica, cresceu 2,5%, para US$ 8,64 bilhões. Apesar da alta de 17% no negócio cardiovascular Shockwave, a divisão ficou abaixo das expectativas da própria J&J. Na apresentação dos resultados, a direção apontou necessidade de melhora em cardiovascular e em cirurgia fora dos Estados Unidos.
Previsão sobe US$ 100 milhões
O ponto médio da projeção de receita anual passou de US$ 101,1 bilhões para US$ 101,2 bilhões. O aumento de US$ 100 milhões equivale a cerca de 0,1% da previsão anterior. A faixa esperada agora vai de US$ 101 bilhões a US$ 101,4 bilhões.
A estimativa de lucro ajustado por ação também subiu, de US$ 11,04 para US$ 11,10. A direção atribuiu a revisão ao desempenho acumulado e às expectativas para o quarto trimestre. Se a projeção de vendas se confirmar, a J&J superará US$ 100 bilhões em receita anual pela primeira vez.
Fontes
- Johnson & Johnson: balanço do terceiro trimestre
- Reuters via Boursorama: revisão das projeções
- Johnson & Johnson: apresentação da administração
- Johnson & Johnson: proposta de resolução dos processos sobre talco
- Johnson & Johnson: aquisição da Firefly Bio
- Sail Biomedicines: termos da colaboração com a J&J
- SEC: Form 8-K da Johnson & Johnson de 29 de julho de 2026














