Economia

Startups da América Latina captaram US$ 4,7 bilhões em 2025, com dinheiro concentrado

Brasil e México reuniram 81% dos recursos; estudo mostra dificuldade para empresas menores avançarem e queda do investimento no início de 2026.

Três participantes sentados no palco do painel sobre expansão na América Latina durante o Web Summit Rio de 2025.
Web Summit Rio / Wikimedia Commons / CC BY 2.0 · Fonte: https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Web_Summit_Rio_2025_-_0160_(54483139916).jpg · Licença: https://creativecommons.org/licenses/by/2.0

As startups da América Latina captaram cerca de US$ 4,7 bilhões em 2025, alta de 65% sobre o ano anterior, segundo levantamento da Endeavor e da Glisco Partners divulgado em 12 de outubro de 2026. O dinheiro voltou a crescer, mas ficou concentrado em empresas mais maduras e em dois países: Brasil e México.

O estudo LATAM VC 2026 registra US$ 4,696 bilhões em aportes no ano passado, o maior total desde 2022. A recuperação ainda convive com dificuldades para startups menores avançarem às próximas etapas de financiamento.

Brasil e México ficam com 81% do capital

Os dois maiores mercados da região reuniram 81% dos recursos. O valor médio por rodada passou de US$ 6,6 milhões em 2024 para US$ 8,5 milhões em 2025, segundo a Bloomberg Línea.

Foram 554 rodadas em 2025, cerca de 30% abaixo das 788 registradas no pico de 2022. Entre os grandes aportes citados pelo levantamento estão os recebidos por Clip, Kavak, Ualá e Plata, empresas que já haviam alcançado escala em seus mercados.

A dificuldade de crescer depois do primeiro aporte

As rodadas seed, voltadas ao financiamento inicial, representaram 56% das operações em 2025, mas receberam apenas 7% do capital. A distância entre esses percentuais mostra o peso dos grandes cheques no total investido, mesmo com muitas negociações pequenas na entrada do mercado.

O retorno do dinheiro aos investidores também avançou pouco. O estudo contabilizou 38 operações de fusões e aquisições em 2025, contra 37 em 2024 e 55 em 2022. Essas saídas ajudam os fundos a devolver recursos a seus cotistas e financiar novos ciclos de investimento.

IA ganha espaço em um primeiro semestre mais fraco

O relatório também analisa o início de 2026. Na comparação entre os primeiros semestres, o investimento total caiu 25%, segundo a Bloomberg Línea. Já os aportes em empresas que desenvolvem ou utilizam inteligência artificial quase dobraram: passaram de US$ 165 milhões para US$ 327 milhões, informa a Reuters.

Esse grupo inclui tanto negócios que aplicam IA a seus produtos quanto empresas criadas em torno da tecnologia. Sua expansão ocorreu dentro de um mercado que recebeu menos dinheiro no período.

O alcance do levantamento

A pesquisa reúne dados da Endeavor e de plataformas como CB Insights e PitchBook sobre Brasil, México, Argentina, Colômbia e Chile. Os autores informam que a base pode ter omissões e ser atualizada com novas informações.

Fontes

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